Anal­isá­mos estu­dos sobre mil­hares de pon­tapés de can­to para perce­ber qual a for­ma mais efi­caz de os bater.

Jorge Jesus pref­ere ter jogadores destros, como Bruno Fer­nan­des, a bater os can­tos do lado dire­ito e can­ho­tos, como Acuña, a bater do lado esquer­do. Rui Vitória não tem uma prefer­ên­cia clara­mente defini­da e, por isso, é tão nor­mal ver o destro Pizzi mar­car um can­to do lado dire­ito como ver lá o can­ho­to Zivkovic. Para Sér­gio Con­ceição a escol­ha é fácil: quan­do se tem Alex Telles no plantel, há que lhe dar a bola, seja qual for o lado do can­to. Mas haverá uma for­ma mel­hor de mar­car os pon­tapés de can­to? 

A questão é rel­e­vante se tiver­mos em con­ta que muitos jogos se deci­dem em lances de bola para­da e que, em média, há cer­ca de dez can­tos por jogo. Há muitas var­iáveis a ter em con­ta para deter­mi­nar o suces­so de um pon­tapé de can­to, des­de o número de jogadores na área, a sua altura, capaci­dade de cabecear, local onde a bola é colo­ca­da, etc, mas sim­pli­fique­mos: com que pé é mel­hor mar­car um can­to, com o pé do mes­mo lado do can­to (ou seja, um destro a bater do lado dire­ito) ou com o pé con­trário?  

Can­tos com o pé do mes­mo lado dão mais remates, com o pé con­trário dão mais golos

Para perce­ber mel­hor o que deter­mi­na o suces­so dos pon­tapés de can­to, o inves­ti­gador espan­hol Clau­dio Casal, jun­ta­mente com out­ros cole­gas, pub­li­cou um estu­do*, em 2015, em que anal­isou 1139 can­tos em 124 jogos (os 64 jogos do Mundi­al 2010, os 31 jogos do Euro 2012 e 29 jogos da Liga dos Campeões de 2010/11) e apre­sen­tou as suas con­clusões. Nos jogos anal­isa­dos hou­ve 9,2 can­tos em média e 2,2% dos can­tos resul­taram em golo, sendo que em 76% das vezes esse golo foi deci­si­vo para o empate ou para a vitória. 

Da análise aos 1139 can­tos con­clui-se que cer­ca de 50% foram mar­ca­dos com o pé do mes­mo lado do cam­po (ex: um can­ho­to do lado esquer­do) e 50% foram bati­dos com o pé con­trário, o que rev­ela que, ain­da que os treinadores pos­sam ter as suas prefer­ên­cias, não existe uma prefer­ên­cia dom­i­nante.  E isso talvez acon­teça porque as difer­enças na taxa de suces­so dos can­tos são muito peque­nas baten­do de uma ou de out­ra maneira. 

Os can­tos bati­dos com o pé con­trário (com efeito para a bal­iza) resul­taram menos vezes em remates, mas resul­taram mais vezes em golos (por uma difer­ença muito peque­na) do que os can­tos bati­dos com o pé do mes­mo lado do can­to (com efeito para fora). Estes são os números, que podem ser inter­pre­ta­dos de difer­entes for­mas. Talvez os can­tos bati­dos com efeito para fora sejam mais fáceis de “gan­har” pelos avança­dos, que ata­cam a bola de frente e que, por isso, con­seguiram rematar em 30,1% dos casos (con­tra 21,1% nos can­tos bati­dos com o pé con­trário) e acer­tar na bal­iza 11,2% das vezes (con­tra 8,4%). Por out­ro lado, ape­sar de os can­tos bati­dos com o pé con­trário terem ger­a­do menos remates, resul­taram mais vezes em golo (2,3% con­tra 2,1%).

É impor­tante notar que as difer­enças a nív­el de golos mar­ca­dos são muito peque­nas pelo que a prin­ci­pal con­clusão a tirar é a de que não há uma for­ma de bater que seja clara­mente supe­ri­or à out­ra.  

Difer­entes Lig­as, difer­entes prefer­ên­cias

O estu­do ante­ri­or foi feito anal­isan­do jogos de com­petições inter­na­cionais, pelo que não per­mite perce­ber se as prefer­ên­cias quan­to à for­ma de mar­car can­tos vari­am de país para país. Para isso é mais útil o estu­do* do anal­ista desporti­vo Alex Ratchke, que uti­li­zou os dados da Opta ref­er­entes a todos os 18 425 can­tos mar­ca­dos nas cin­co prin­ci­pais Lig­as europeias (Espan­ho­la, Ingle­sa, Alemã, Ital­iana e France­sa) na época 2015/16. 

Os dados recol­hi­dos per­mitem perce­ber que exis­tem prefer­ên­cias difer­entes de liga para liga. Na Ale­man­ha, hou­ve mais can­tos a ser bati­dos com o pé do mes­mo lado do can­to (ex: um destro a mar­car do lado dire­ito), enquan­to as equipas das Lig­as France­sa e Ingle­sa rev­e­laram uma prefer­ên­cia por mar­car os can­tos com o pé con­trário. Por out­ro lado, as Lig­as Espan­ho­la e Ital­iana não apre­sen­tam uma prefer­ên­cia clara quan­to ao pé com que os can­tos são bati­dos, mas tam­bém têm a sua espe­cial­i­dade: são aque­las em que mais se uti­liza o can­to cur­to. 

Anal­isá­mos estu­dos sobre mil­hares de pon­tapés de can­to para perce­ber qual a for­ma mais efi­caz de os bater.

Jorge Jesus pref­ere ter jogadores destros, como Bruno Fer­nan­des, a bater os can­tos do lado dire­ito e can­ho­tos, como Acuña, a bater do lado esquer­do. Rui Vitória não tem uma prefer­ên­cia clara­mente defini­da e, por isso, é tão nor­mal ver o destro Pizzi mar­car um can­to do lado dire­ito como ver lá o can­ho­to Zivkovic. Para Sér­gio Con­ceição a escol­ha é fácil: quan­do se tem Alex Telles no plantel, há que lhe dar a bola, seja qual for o lado do can­to. Mas haverá uma for­ma mel­hor de mar­car os pon­tapés de can­to? 

A questão é rel­e­vante se tiver­mos em con­ta que muitos jogos se deci­dem em lances de bola para­da e que, em média, há cer­ca de dez can­tos por jogo. Há muitas var­iáveis a ter em con­ta para deter­mi­nar o suces­so de um pon­tapé de can­to, des­de o número de jogadores na área, a sua altura, capaci­dade de cabecear, local onde a bola é colo­ca­da, etc, mas sim­pli­fique­mos: com que pé é mel­hor mar­car um can­to, com o pé do mes­mo lado do can­to (ou seja, um destro a bater do lado dire­ito) ou com o pé con­trário?  

Can­tos com o pé do mes­mo lado dão mais remates, com o pé con­trário dão mais golos

Para perce­ber mel­hor o que deter­mi­na o suces­so dos pon­tapés de can­to, o inves­ti­gador espan­hol Clau­dio Casal, jun­ta­mente com out­ros cole­gas, pub­li­cou um estu­do*, em 2015, em que anal­isou 1139 can­tos em 124 jogos (os 64 jogos do Mundi­al 2010, os 31 jogos do Euro 2012 e 29 jogos da Liga dos Campeões de 2010/11) e apre­sen­tou as suas con­clusões. Nos jogos anal­isa­dos hou­ve 9,2 can­tos em média e 2,2% dos can­tos resul­taram em golo, sendo que em 76% das vezes esse golo foi deci­si­vo para o empate ou para a vitória. 

Da análise aos 1139 can­tos con­clui-se que cer­ca de 50% foram mar­ca­dos com o pé do mes­mo lado do cam­po (ex: um can­ho­to do lado esquer­do) e 50% foram bati­dos com o pé con­trário, o que rev­ela que, ain­da que os treinadores pos­sam ter as suas prefer­ên­cias, não existe uma prefer­ên­cia dom­i­nante.  E isso talvez acon­teça porque as difer­enças na taxa de suces­so dos can­tos são muito peque­nas baten­do de uma ou de out­ra maneira. 

Os can­tos bati­dos com o pé con­trário (com efeito para a bal­iza) resul­taram menos vezes em remates, mas resul­taram mais vezes em golos (por uma difer­ença muito peque­na) do que os can­tos bati­dos com o pé do mes­mo lado do can­to (com efeito para fora). Estes são os números, que podem ser inter­pre­ta­dos de difer­entes for­mas. Talvez os can­tos bati­dos com efeito para fora sejam mais fáceis de “gan­har” pelos avança­dos, que ata­cam a bola de frente e que, por isso, con­seguiram rematar em 30,1% dos casos (con­tra 21,1% nos can­tos bati­dos com o pé con­trário) e acer­tar na bal­iza 11,2% das vezes (con­tra 8,4%). Por out­ro lado, ape­sar de os can­tos bati­dos com o pé con­trário terem ger­a­do menos remates, resul­taram mais vezes em golo (2,3% con­tra 2,1%). 

É impor­tante notar que as difer­enças a nív­el de golos mar­ca­dos são muito peque­nas pelo que a prin­ci­pal con­clusão a tirar é a de que não há uma for­ma de bater que seja clara­mente supe­ri­or à out­ra.  

Difer­entes Lig­as, difer­entes prefer­ên­cias

O estu­do ante­ri­or foi feito anal­isan­do jogos de com­petições inter­na­cionais, pelo que não per­mite perce­ber se as prefer­ên­cias quan­to à for­ma de mar­car can­tos vari­am de país para país. Para isso é mais útil o estu­do* do anal­ista desporti­vo Alex Ratchke, que uti­li­zou os dados da Opta ref­er­entes a todos os 18 425 can­tos mar­ca­dos nas cin­co prin­ci­pais Lig­as europeias (Espan­ho­la, Ingle­sa, Alemã, Ital­iana e France­sa) na época 2015/16. 

Os dados recol­hi­dos per­mitem perce­ber que exis­tem prefer­ên­cias difer­entes de liga para liga. Na Ale­man­ha, hou­ve mais can­tos a ser bati­dos com o pé do mes­mo lado do can­to (ex: um destro a mar­car do lado dire­ito), enquan­to as equipas das Lig­as France­sa e Ingle­sa rev­e­laram uma prefer­ên­cia por mar­car os can­tos com o pé con­trário. Por out­ro lado, as Lig­as Espan­ho­la e Ital­iana não apre­sen­tam uma prefer­ên­cia clara quan­to ao pé com que os can­tos são bati­dos, mas tam­bém têm a sua espe­cial­i­dade: são aque­las em que mais se uti­liza o can­to cur­to. 

O can­to cur­to é mais efi­caz? 

Voltan­do ao estu­do de Clau­dio Casal et al. (2015), que con­sider­ou jogos do Mundi­al 2010, do Euro 2012 e da Liga dos Campeões 2010/11, a con­clusão é de que os can­tos foram mar­ca­dos de for­ma cur­ta em 18% dos casos e a sua eficá­cia foi infe­ri­or à dos can­tos tradi­cionais. Os can­tos cur­tos resul­taram em golo em 1,9% das ocasiões, con­tra os 2,3% de eficá­cia dos can­tos tradi­cionais. 

Ape­sar de resultarem menos vezes em golo, os can­tos cur­tos resul­taram mais vezes em remates (35,9% con­tra 23,8%) e mais vezes em remates à bal­iza (14,1% con­tra 8,9%). Estes val­ores podem ser expli­ca­dos pelo fac­to de várias vezes os can­tos cur­tos orig­inarem remates de fora da área, enquan­to os can­tos tradi­cionais cos­tu­mam dar origem a remates den­tro da área.

De qual­quer for­ma, tal como na questão rel­a­ti­va­mente ao mel­hor pé para mar­car os can­tos, os números são muito próx­i­mos e não per­mitem tirar con­clusões defin­i­ti­vas. Além dis­so, é tam­bém impor­tante ter em con­ta que não existe nec­es­sari­a­mente uma for­ma mel­hor do que todas as out­ras. Tal depen­derá das car­ac­terís­ti­cas de cada equipa. 

Refer­ên­cias:

Casal, Clau­dio; Dios, Rubén; Ardá, Toni; Losa­da, José e Bou­be­taAnto­nio. (2015). Analy­sis of Cor­ner Kick Suc­cess in Elite Foot­ball. Inter­na­tion­al Jour­nal of Per­for­mance Analy­sis in Sport. 15 

Rathke, Alex (2017). An Exam­i­na­tion of Cor­ner Kick Strate­gies in Euro­pean Leagues. OptaPro Forum.

*Notí­cia Bancada.pt

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